Analise dos concorrentes para escalar seu negócio digital com insights práticos

A análise de concorrentes é, na sua essência, um trabalho de detetive. Consiste em identificar quem joga no mesmo campo que nós e perceber as suas estratégias para descobrir os seus pontos fortes e, claro, os seus pontos fracos. É uma ferramenta vital para encontrar oportunidades de mercado, antecipar ameaças e, no fundo, tomar decisões mais inteligentes para o negócio crescer.

Porque a análise de concorrentes é o mapa para o seu crescimento

Um laptop exibindo um gráfico de crescimento e uma bússola, junto a um mapa e um caderno em uma mesa de madeira, com a frase 'Mapa do Crescimento'.

Muitos especialistas, de nutricionistas a consultores financeiros, olham para a análise da concorrência como uma tarefa gigante e demorada. Mas é preciso desmistificar esta ideia. Em vez de a ver como um fardo, pense nela como a sua arma secreta para conseguir um crescimento mais previsível e sustentado.

Perceber o que os outros no seu nicho estão a fazer não tem nada a ver com copiar. É sobre inteligência de mercado. Ajuda a identificar lacunas, a validar as suas próprias ideias antes de gastar tempo e dinheiro e, o mais importante de tudo, a encontrar o que o torna único.

O atalho para melhores resultados

Uma análise de concorrentes bem feita é um verdadeiro atalho estratégico. Em vez de ter de testar tudo do zero, pode simplesmente aprender com os sucessos e os fracassos dos outros. Este processo responde a perguntas cruciais para o seu negócio:

  • As suas ofertas têm potencial? Se os seus concorrentes estão a vender workshops, ebooks ou mentorias de alto valor com sucesso, isso valida o potencial das suas próprias ideias.
  • O seu preço está correto? Como é que os seus preços se comparam com serviços semelhantes? Esta análise evita que esteja a deixar dinheiro na mesa ou a afastar clientes com valores que não fazem sentido para o mercado.
  • Onde estão as oportunidades? Que problemas do seu público é que a concorrência não está a resolver (ou está a resolver mal)? É exatamente aqui que nascem as suas melhores oportunidades para inovar.

O mercado digital está cada vez mais cheio e a atenção das pessoas é limitada. Basta olhar para os números: o investimento em publicidade digital em Portugal, por exemplo, teve um crescimento impressionante de 17% só no primeiro semestre de 2025, ultrapassando todos os outros meios. Este aumento mostra uma concorrência brutal, onde estratégias genéricas já não funcionam. É por isso que abordagens personalizadas e focadas em performance, como as que implementamos na Outlier Agency para os nossos clientes, fazem toda a diferença. Pode ler mais sobre as oportunidades do marketing digital em Portugal neste artigo.

Ignorar a concorrência hoje em dia é como tentar navegar sem bússola e sem mapa. Fica à deriva, a reagir às marés em vez de traçar o seu próprio caminho para um destino claro.

Resumindo, fazer uma análise de concorrentes de forma sistemática permite-lhe criar ofertas muito mais apelativas. Desde produtos mais acessíveis para gerar fluxo de caixa a programas de alto valor que realmente fazem o seu negócio escalar. É, sem dúvida, o caminho mais rápido e seguro para a performance.

Mapear o terreno com objetivos bem definidos

Fazer uma análise de concorrentes sem um objetivo claro é como entrar num supermercado com fome e sem lista: vai acabar por perder tempo, gastar energia e, no final, chegar a casa com coisas que não fazem sentido. Por isso, antes de começar a investigar, a primeira coisa a fazer é definir exatamente o que quer descobrir.

Os seus objetivos vão servir de guia, ajudando a focar-se apenas na informação que realmente importa para tomar decisões. Sem esta clareza, o risco de se afogar num mar de dados irrelevantes é enorme. É fundamental saber definir objetivos e métricas claras para que todo o processo faça sentido do início ao fim.

Defina o seu foco principal

O que é que, no fundo, quer alcançar com esta análise? A resposta a esta pergunta vai moldar toda a sua abordagem. E não precisa de ser nada muito complexo; na verdade, quanto mais específico, melhor.

Pense nestes cenários, muito comuns para quem presta serviços e vende conhecimento:

  • Ajustar os preços: Sente que os seus preços estão desfasados? O objetivo aqui é simples: analisar as tabelas de preços e os pacotes dos concorrentes para encontrar o seu sweet spot – aquele ponto de equilíbrio perfeito.
  • Validar uma nova ideia: Está a pensar lançar um novo workshop, um ebook ou uma mentoria? O seu foco será perceber se já existem produtos parecidos, como são vendidos e, mais importante, que lacunas pode preencher.
  • Melhorar a sua estratégia de conteúdo: O seu conteúdo não está a ter o impacto que esperava? Então, o objetivo é analisar os temas, os formatos e os canais que os seus concorrentes usam para atrair e envolver a audiência que também quer para si.
  • Encontrar o seu diferencial: Tem dificuldade em explicar o que o torna único? O seu trabalho será mapear o posicionamento e a mensagem dos outros para descobrir um espaço só seu no mercado.

Escolha um ou, no máximo, dois objetivos para começar. Tentar analisar tudo de uma só vez é a receita perfeita para a paralisia. Uma abordagem focada gera insights muito mais práticos e acionáveis.

Identificar quem está no seu radar

Com os objetivos na mão, o passo seguinte é criar a sua lista de "alvos". É crucial saber distinguir os diferentes tipos de concorrentes, porque cada um oferece pistas diferentes. Juntar a análise de ambos dá-lhe uma visão 360º, algo que um estudo de mercado mais profundo também revelaria.

Para organizar esta fase, uma tabela pode ser uma ajuda preciosa para não se perder.

Tipos de Concorrentes e Foco da Análise

Tipo de Concorrente Como Identificar O Que Analisar Principalmente Exemplo Prático (Nutricionista)
Direto Oferecem a mesma solução, para o mesmo público. Oferta, preços, funil de vendas, comunicação. Outro nutricionista que vende planos de emagrecimento online para mulheres com mais de 30 anos.
Indireto Resolvem o mesmo problema, mas com uma solução diferente. A abordagem à solução do problema, o modelo de negócio, as fontes de tráfego. Uma app de contagem de calorias, um PT que vende guias de nutrição, um serviço de marmitas saudáveis.
Aspiracional São referências no seu nicho ou num nicho adjacente, mesmo que não compitam diretamente. Estratégia de marca, funis avançados, modelos de negócio escaláveis. Um nutricionista de renome internacional que tem uma linha de suplementos e uma plataforma de cursos.

Mapear estes três tipos dá-lhe uma visão muito mais rica do que apenas olhar para quem faz exatamente o mesmo que você.

Agora, vamos aprofundar um pouco mais:

Concorrentes Diretos: São os mais óbvios. Oferecem o mesmo tipo de serviço ao mesmo público. Se é um nutricionista focado em emagrecimento online para mulheres acima dos 30, os seus concorrentes diretos são outros nutricionistas com a mesma exata proposta.

Concorrentes Indiretos: Estes são mais subtis, mas igualmente importantes. Não vendem o mesmo que você, mas resolvem o mesmo problema. Para esse mesmo nutricionista, um concorrente indireto pode ser uma app de fitness, um personal trainer que também dá dicas de nutrição ou até um chef que vende refeições saudáveis prontas.

A análise dos concorrentes indiretos é, muitas vezes, onde se encontram as maiores oportunidades de inovação. Eles mostram outras formas de resolver a dor do seu cliente, o que pode inspirar novas ofertas ou abordagens de marketing completamente diferentes.

Para encontrar estes concorrentes, use táticas simples mas eficazes. Faça pesquisas no Google como se fosse um cliente, usando termos específicos como "mentor financeiro para freelancers em Portugal". No Instagram ou no TikTok, explore hashtags do seu nicho (ex: #nutricaofuncional) e veja quem são os criadores em destaque.

Vá anotando tudo numa folha de cálculo simples. Este será o seu mapa de batalha inicial.

Dissecar ofertas, preços e funis de vendas

Já tem o seu mapa de concorrentes? Ótimo. Agora começa a parte mais interessante: mergulhar a fundo no motor dos negócios deles. Vamos pôr a lupa em cima do que eles vendem, a que preço e, mais importante, como vendem.

Esta investigação é o coração da sua análise de concorrentes. É aqui que descobre a estratégia que eles não mostram nos posts do Instagram. O objetivo não é copiar, mas sim perceber como construíram a sua "escada de valor" — aquele caminho que leva um completo desconhecido a tornar-se um cliente premium.

Para não se perder no meio de tanta informação, o processo é simples. Primeiro, defina o que quer descobrir. Depois, use o mapa que já criou. E por fim, analise.

Um infográfico simples explicando o processo de três passos para mapear e analisar concorrentes, com as etapas definir, mapear e analisar.

Seguir esta lógica vai garantir que a sua análise é metódica e que termina com ideias práticas para aplicar no seu próprio negócio.

Analisar as ofertas de entrada (front-end)

A porta de entrada para qualquer negócio de conhecimento são as ofertas front-end. São aqueles produtos de baixo custo, ou até gratuitos, criados com uma única missão: transformar seguidores em leads. Se bem feitos, ainda geram um dinheirinho rápido.

Fique de olho em:

  • Ebooks ou guias grátis: Qual é a grande promessa? Que dor específica eles resolvem? Repare bem no título e na página onde pede os dados.
  • Workshops ou aulas gravadas: Procure as ofertas que custam entre 7 € e 47 €. Estes produtos servem para quebrar a desconfiança inicial e provar que o especialista sabe do que fala.
  • Desafios ou bootcamps: São muito populares porque criam um sentimento de urgência e comunidade. Veja quanto tempo duram, qual o tema e o que acontece a seguir.

Quando estiver a analisar isto, pergunte-se sempre: "Qual é o verdadeiro objetivo aqui?". Um ebook sobre "5 erros a evitar nas finanças pessoais" não é só para ajudar. É, na verdade, uma forma de filtrar pessoas interessadas numa consultoria muito mais cara.

Fazer engenharia reversa das ofertas de entrada é como encontrar a chave do cofre. Revela exatamente que tipo de cliente o seu concorrente quer atrair e qual é a principal dor de mercado que ele está a tentar resolver.

Avaliar os produtos principais e high-ticket

Subindo na escada de valor, encontramos os produtos que realmente pagam as contas: os produtos core (de valor intermédio) e as ofertas high-ticket (de alto valor).

Produtos Core (Middle-Ticket):
Normalmente, são cursos online mais densos, programas de acompanhamento em grupo ou pacotes de consultoria. Aqui, o seu foco deve ser o posicionamento. Como é que eles descrevem a transformação que o cliente vai ter? Que módulos ou bónus usam para justificar o preço?

Ofertas High-Ticket:
No topo da pirâmide estão as mentorias individuais, masterminds ou serviços "chave na mão" (done-for-you). Aqui, a análise muda para a proposta de valor e a exclusividade. O que torna esta oferta tão especial? É o acesso direto ao especialista? Uma metodologia que mais ninguém tem?

Para cada oferta, anote o preço, o que está incluído e, acima de tudo, os testemunhos e provas sociais que eles usam para dar credibilidade.

Fazer a engenharia reversa dos funis de venda

Uma oferta incrível não se vende sozinha. É aqui que os funis de venda entram em ação. A sua missão, agora, é fazer o mesmo caminho que o seu concorrente quer que os clientes façam, desde o anúncio até ao momento da compra.

Comece pelo básico: subscreva a newsletter deles ou compre a oferta mais barata que encontrar. É um pequeno investimento que lhe vai dar acesso privilegiado a todo o sistema de vendas.

Preste atenção a estes detalhes:

  • Páginas de Captura: O que oferecem em troca do email? A promessa é clara e difícil de recusar?
  • Páginas de Vendas: Analise a estrutura do texto (copy). Que gatilhos mentais saltam à vista (escassez, prova social, autoridade)? Que história estão a contar?
  • Estratégias de Upsell e Downsell: E depois da compra, o que acontece? Tentam vender algo mais caro (upsell)? Ou, se a pessoa hesitou, oferecem uma versão mais barata (downsell)?

Este processo de desmontar o funil de vendas é crucial. Se quiser ir mais fundo, pode consultar o nosso guia completo sobre o que é um funil de vendas e como funciona.

Ao dissecar cada etapa, da oferta inicial à experiência pós-compra, vai conseguir um manual detalhado da máquina de vendas dos seus concorrentes. Esta informação é ouro puro para refinar as suas próprias ofertas e construir um negócio que vende de forma muito mais eficaz.

Perceber as estratégias de conteúdo e tráfego

Se as ofertas e os funis de venda são o esqueleto do negócio dos seus concorrentes, então o conteúdo e o tráfego são o combustível que faz a máquina andar. De nada adianta ter a melhor oferta do mundo se ninguém a encontra.

É por isso que esta etapa da análise da concorrência é tão crucial. O nosso foco aqui é perceber como é que eles conseguem captar – e manter – a atenção da sua audiência. No fundo, queremos responder a três perguntas: o que comunicam, onde comunicam e como fazem as pessoas descobrir essa comunicação.

Descodificar a estratégia de conteúdo

Tudo começa, claro, no conteúdo. É através dele que um concorrente se posiciona como autoridade, cria uma ligação com o público e prepara o mercado para as suas soluções. A sua missão é encontrar os padrões por trás do que eles publicam.

Comece por mapear os pilares temáticos. Quais são os 2 a 3 grandes temas à volta dos quais eles falam sem parar? Um coach financeiro, por exemplo, pode focar-se em "investimento para iniciantes", "organização financeira pessoal" e "mentalidade de abundância". Estes são os pilares que sustentam toda a comunicação dele.

Depois, dê uma olhada nos formatos preferidos:

  • Artigos de blog: São textos mais longos e profundos, a pensar no Google? Ou são mais curtos, quase como artigos de opinião?
  • Vídeos: A aposta está em vídeos longos e educativos para o YouTube ou em Reels e TikToks curtos e cheios de energia?
  • Conteúdo visual: Usam muitos carrosséis informativos no Instagram, infográficos bem trabalhados ou focam-se mais em fotos e vídeos do dia a dia?

Por fim, preste atenção ao tom de voz. A comunicação soa formal e técnica ou é mais relaxada e pessoal? Usam humor? Contam histórias? O tom é um dos elementos que mais conecta (ou afasta) um público específico.

O truque na análise de conteúdo não é só ver o que publicam, mas sim tentar perceber porquê. Cada conteúdo tem um objetivo: educar, gerar contactos, quebrar objeções ou simplesmente reforçar a marca. Descobrir essa intenção é o segredo.

Investigar as fontes de tráfego

Um conteúdo incrível não serve de nada se ninguém o vê. Por isso, o passo seguinte é descobrir de onde vêm os visitantes dos seus concorrentes. O tráfego deles é algo construído de forma orgânica e sustentável, ou estão completamente dependentes de anúncios?

As principais fontes de tráfego que precisa de investigar são:

  1. Tráfego Orgânico (SEO): Eles aparecem logo no topo do Google quando pesquisa por temas importantes no seu nicho? Ferramentas como a versão gratuita do Ubersuggest podem dar-lhe uma estimativa do tráfego orgânico mensal e das palavras-chave que lhes trazem mais visitas. Identificar estes termos é ouro. Se quiser ir mais a fundo, pode ler o nosso guia sobre como encontrar as melhores palavras-chave para o seu negócio.

  2. Tráfego de Redes Sociais: Qual é a rede social que parece ser o motor principal? Instagram? LinkedIn? YouTube? Analise os links na bio, os links nas stories e as chamadas à ação nas publicações para perceber para onde estão a levar as pessoas.

  3. Tráfego Pago (Anúncios): Estão a investir ativamente em publicidade? A forma mais fácil de descobrir isto é através da Biblioteca de Anúncios do Meta, que vamos ver já a seguir.

  4. Tráfego Direto e de Referência: Têm uma marca tão forte que as pessoas escrevem o site diretamente no navegador (tráfego direto)? Ou são muitas vezes mencionados noutros sites e blogs (tráfego de referência)?

Compreender esta distribuição dá-lhe uma ideia muito clara da maturidade e da sustentabilidade da estratégia de aquisição deles.

Espiar os criativos dos anúncios

Se os seus concorrentes usam tráfego pago, tem acesso a uma verdadeira mina de ouro: a Biblioteca de Anúncios do Meta (Facebook e Instagram). Esta ferramenta gratuita mostra-lhe todos os anúncios que uma página está a fazer.

É como ter uma janela aberta para a estratégia de marketing pago deles.

Aqui está um exemplo do que pode encontrar ao pesquisar na Biblioteca de Anúncios do Meta.

Nesta vista, consegue analisar os textos (o copy), as imagens ou vídeos (os criativos) e as diferentes mensagens que estão a testar.

Com esta análise, consegue perceber:

  • Que ofertas estão a promover: Estão a levar pessoas para um webinar, a vender um ebook ou a promover diretamente um serviço de consultoria?
  • Que ângulos de comunicação estão a usar: Focam-se na dor do cliente, nos benefícios da solução ou estão a usar testemunhos e prova social?
  • Que públicos podem estar a segmentar: Embora não veja a segmentação exata, a mensagem e o criativo dão-lhe pistas muito fortes sobre para quem estão a falar.

Esta análise é especialmente importante hoje, com as plataformas a mudarem tão depressa. Por exemplo, em 2025, o LinkedIn em Portugal ganhou 700 mil utilizadores (+14,3%), enquanto o Facebook perdeu 300 mil. Esta mudança mostra como profissionais B2B, como contabilistas ou terapeutas, estão a migrar para onde conseguem gerar contactos mais qualificados. Pode encontrar mais dados sobre as tendências digitais em Portugal para perceber melhor este movimento.

Ao juntar a análise do conteúdo, do tráfego e dos anúncios, fica com uma visão de 360 graus sobre como os seus concorrentes se posicionam e atraem clientes.

Transformar dados num plano de ação estratégico

Duas mulheres colaboram em um quadro branco com notas adesivas coloridas e desenhos, enquanto um homem observa, exibindo a frase 'PLANO DE AÇÃO'.

Ok, chegámos à parte que realmente importa. Uma análise de concorrentes, por mais detalhada que seja, só tem valor se nos levar a fazer alguma coisa. Ter uma folha de cálculo cheia de dados é inútil se ela for ficar guardada numa pasta esquecida no computador.

O verdadeiro ouro está em transformar as ideias que recolheu num plano de ação prático. Agora é o momento de juntar todas as peças do puzzle e definir os seus próximos passos. O objetivo é que, ao terminar esta leitura, tenha uma lista de tarefas clara, pronta para ser implementada no seu negócio.

Usar a análise SWOT como bússola

A análise SWOT (Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças) é uma ferramenta clássica, é verdade. Mas vamos dar-lhe uma nova roupagem, focada especificamente nos dados que acabou de recolher. Em vez de ser um exercício abstrato, ela transforma-se numa bússola que aponta diretamente para onde deve ir.

Para que isto funcione, responda a estas perguntas com base no que descobriu:

  • Forças (Strengths): O que é que eu faço que é comprovadamente melhor do que os meus concorrentes? Pode ser o seu método, a sua forma de atender os clientes ou a profundidade do seu conteúdo.
  • Fraquezas (Weaknesses): Onde é que a concorrência me está a passar a perna? Talvez o funil de vendas deles seja mais sofisticado, ou o SEO seja mais forte. Seja honesto aqui.
  • Oportunidades (Opportunities): Que falhas existem no mercado que ninguém está a preencher? Pense num nicho de público mal servido, num formato de conteúdo que ninguém explora ou numa dor que não está a ser bem resolvida.
  • Ameaças (Threats): Que jogadas dos meus concorrentes podem prejudicar o meu negócio? Se um concorrente forte começar a baixar os preços ou um novo player entrar no mercado com uma oferta agressiva, isso é uma ameaça.

Este exercício simples vai cristalizar as suas vantagens e mostrar exatamente onde precisa de concentrar a sua energia para se destacar.

Priorizar as suas ações com um sistema simples

Depois da SWOT, é provável que tenha uma lista gigante de ideias. A grande questão é: por onde começar? Tentar fazer tudo ao mesmo tempo é o caminho mais rápido para a frustração e para não fazer nada bem feito.

Para evitar isso, vamos usar um sistema de priorização que se baseia em duas coisas: impacto e esforço. Pegue em cada ideia e coloque-a numa destas quatro caixas:

  1. Ganhos Rápidos (Alto Impacto, Baixo Esforço): Estas são as suas prioridades máximas. São ações que pode implementar rapidamente e que têm potencial para trazer resultados a curto prazo. Comece por aqui.
  2. Grandes Projetos (Alto Impacto, Alto Esforço): São as grandes jogadas estratégicas que podem mudar o rumo do seu negócio, mas que exigem mais tempo e recursos. Precisam de ser planeadas com cuidado.
  3. Tarefas de Preenchimento (Baixo Impacto, Baixo Esforço): Coisas pequenas que pode fazer quando tiver tempo livre, mas que não devem tirar o foco do que é realmente importante.
  4. Armadilhas de Tempo (Baixo Impacto, Alto Esforço): Estas são as ações a evitar a todo o custo. Consomem muita energia para um retorno mínimo. Simplesmente, risque-as da lista.

Esta matriz transforma o caos de ideias numa lista de tarefas organizada e lógica.

Uma análise de concorrentes não acaba quando preenche a última célula da folha de cálculo. Acaba quando implementa a primeira mudança no seu negócio com base nesses dados. A ação é o que separa a análise útil da simples curiosidade.

Definir os próximos passos concretos

Agora, vamos à prática. Com base na sua matriz de prioridades, a sua lista de tarefas pode incluir ações como estas:

  • Ajustar Preços: A sua análise mostrou que está a cobrar muito abaixo do mercado para o valor que entrega. Uma ação de alto impacto e baixo esforço seria aumentar o preço da sua consultoria em 15% para novos clientes a partir do próximo mês.
  • Refinar a Oferta: Reparou que nenhum concorrente oferece acompanhamento via WhatsApp. Uma ação de alto impacto e médio esforço pode ser criar um novo pacote premium que inclua este suporte exclusivo.
  • Testar um Novo Canal: A concorrência está a ter muito sucesso no YouTube, um canal que você ignora. Um grande projeto seria planear e lançar o seu canal nos próximos três meses.
  • Melhorar a Mensagem: Identificou uma dor específica que a concorrência não menciona na sua comunicação. Um ganho rápido seria reescrever o título da sua página de vendas para focar exatamente nessa dor.

O segredo é transformar cada ideia numa tarefa específica, com um responsável (mesmo que seja você) e um prazo. Só assim é que a sua análise de concorrentes se torna no motor de crescimento que o seu negócio precisa.

Perguntas frequentes sobre análise de concorrentes

Mesmo com um bom plano, é natural que surjam dúvidas pelo caminho. A análise de concorrentes não é uma ciência exata, é um processo vivo. E algumas perguntas aparecem sempre, especialmente para especialistas e prestadores de serviço que estão a começar a levar isto a sério.

Vamos diretos ao ponto e responder às mais comuns para que possa avançar com mais confiança.

Com que frequência devo fazer uma análise dos concorrentes?

A resposta honesta? Depende da velocidade do seu mercado. Mas, para nichos dinâmicos como o dos infoprodutos, coaching ou serviços online, ter um ritmo ajuda a não ser apanhado de surpresa.

Uma boa abordagem que costumo recomendar é:

  • Uma espreitadela trimestral: De três em três meses, reserve uma tarde para uma verificação rápida. O objetivo aqui é simples: ver se há novas campanhas no ar, alterações de preços ou novas ofertas de entrada dos seus principais concorrentes. É uma manutenção.
  • Um mergulho a fundo semestral: Duas vezes por ano, faça a análise completa que descrevemos neste guia. É aqui que vai fundo nos funis, na estratégia de conteúdo e nas fontes de tráfego para ter uma visão geral e realmente estratégica.

Claro que há exceções. Se um rival direto lança um produto que muda as regras do jogo ou faz uma alteração radical no seu posicionamento, não espere. Faça logo uma análise reativa para perceber o que isso significa para o seu negócio.

Quais são as melhores ferramentas gratuitas para começar?

Não precisa de gastar rios de dinheiro em software para conseguir bons insights. A sério. Para começar, existem ferramentas gratuitas que já lhe dão uma base de informação muito, muito sólida.

As minhas indispensáveis são:

  • Para SEO e tráfego: A versão gratuita do Ubersuggest ou do Similarweb é mais do que suficiente. Vai conseguir estimar o tráfego dos sites concorrentes e descobrir as palavras-chave que lhes trazem mais visitas.
  • Para espiar anúncios: A Biblioteca de Anúncios do Meta é pública, grátis e, sinceramente, uma mina de ouro. Pode ver literalmente todos os anúncios que os seus concorrentes estão a fazer no Facebook e Instagram.
  • Para monitorizar conteúdo: Algo tão simples como o Google Alerts funciona lindamente. Crie alertas para os nomes dos seus concorrentes e recebe um email sempre que eles forem mencionados online. Simples e eficaz.

Comece por aqui. Quando o seu negócio crescer e a análise precisar de ser mais sofisticada, aí sim, pode pensar em explorar as opções pagas.

O segredo não é copiar o que os outros fazem, mas sim perceber porquê. Em vez de só olhar para as ações, pergunte-se: "Qual é a estratégia por trás disto? Que problema estão a tentar resolver com esta oferta?". É essa a mentalidade que gera inovação, não imitação.

Como posso analisar concorrentes sem os copiar?

Esta é, provavelmente, a dúvida mais importante. A linha entre inspiração e cópia pode parecer fina, mas a diferença no resultado é gigante. Copiar é o caminho fácil e que nunca leva longe. Inspirar-se é estratégico.

Para garantir que se mantém do lado certo, mude o seu foco. Em vez de olhar para o que eles fazem, tente decifrar o porquê.

Use a informação que recolhe para encontrar as brechas. Onde é que o mercado está mal servido? Que ângulo ninguém está a explorar? Se o seu concorrente tem um workshop de sucesso sobre "Organização Financeira para Freelancers", não lance um igual. Talvez, ao analisar, perceba que ninguém está a falar de "Investimentos para Freelancers que Odeiam Risco". E essa pode ser a sua grande oportunidade.

O meu nicho é muito específico. Como encontro concorrentes?

Em nichos mais fechados, a caça aos concorrentes exige um bocadinho mais de criatividade, mas eles existem.

Primeiro, pesquise no Google, Instagram e YouTube exatamente os termos que o seu cliente ideal usaria. Pense como ele. Vá além do óbvio e explore hashtags de nicho.

Outra tática que funciona bem é ver quem são os oradores em eventos online ou os convidados em podcasts do seu setor. Muitas vezes, os seus concorrentes não são apenas outros especialistas que fazem o mesmo que você. Podem ser empresas de software, autores ou até influenciadores que resolvem um problema parecido, mas de outra forma.

Lembre-se disto: qualquer pessoa ou empresa que compete pela atenção (e pelo dinheiro) do seu cliente ideal é, de alguma forma, um concorrente que vale a pena analisar.


A Outlier Agency especializa-se em transformar análises como esta em estratégias de crescimento para especialistas e prestadores de serviços. Se o seu negócio é vender conhecimento e quer escalar de forma previsível, descubra como podemos ajudá-lo a construir uma marca mais forte e rentável.